Este comentário não é da minha autoria.. foi algo que li e decidi transpor para aqui para alguém que o queira ler! Achei pura e simplesmente piada ao texto, e também porque é o que se reflete na nossa sociedade... é um futuro certo para muita gente, mas é algo que não espero para mim, embora saiba que deste não me devo escapar certamente, ao menos fico com a ideia que me pode acontecer algo semelhante, agora só á que lutar para contrariar isso, não é??
"...caso-me com um homem a quem me obrigo amar. Eu e ele acabaremos por encontrar uma maneira de sonhar juntos o nosso futuro, a casa de campo, os filhos, o futuro dos nossos filhos. Faremos muito amor no primeiro ano, menos no segundo, e a partir do terceiro ano talvez pensemos em sexo uma vez a cada quinze dias, e transformaremos este pensamento em acção apenas uma vez por mês. Pior que isso, quase não conversaremos. Eu esforçar-me-ei a aceitar a situação, e perguntar-me-ei o que há de errado comigo - já que não consigo interessá-lo, ele não me dá atenção, e passa a vida a falar dos seus amigos como se fossem realmente o seu mundo.
Quando o casamento estiver realmente por um fio, eu ficarei grávida. Teremos o filho, passaremos algum tempo mais próximos um do outro, e logo a situação voltará a ser como antes.
Então, começarei a engordar, e começarei também a tentar fazer dieta, sistematicamente derrotada a cada dia, a cada semana, pelo peso que insiste em aumentar apesar de todo o controlo. Nessa altura, tomarei essas drogas mágicas para não entrar em depressão - e terei alguns filhos, nas noites de amor que passam depressa demais. Direi a todos, que os filhos são a razão da minha vida, mas na verdade eles exigem a minha vida como razão.
As pessoas vão considerar-nos sempre um casal feliz, e ninguém saberá o que existe de solidão, de amargura, de renúncia, atrás de toda a aparência de felicidade.
Até que um dia, quando o meu marido arranjar a sua primeira amante, eu talvez faça um escandalo, ou pense em me suicidar. Mas então estarei velha e cobarde, com dois filhos ou três que precisam da minha ajuda, e preciso de educá-los, colocá-los no mundo - antes de ser capaz de abandunar tudo. Eu não me suicidarei, mas farei um escandalo, ameaçarei sair com as crianças. Ele recuará, dirá que me ama e que aquilo não se tornará a repetir.
Dois ou três anos depois, outra mulher aparece na sua vida. Eu vou descobrir - porque vi ou porque alguém me contou - mas desta vez finjo que não sei, gastei toda a minha energia a lutar contra a amante anterior, não sobrou nada para esta, é melhor aceitar a vida como ela é na realidade, e como eu não imaginava que fosse.
Ele continuará a ser gentil para mim, eu continuarei com o meu trabalho, a ler os livros que nunca consigo acabar de ler e a ver os programas de televisão que continuarão os mesmos daqui a quinze, vinte, trinta, cinquenta anos. Continuarei a comer o que quero com culpa, porque estou a engordar, não irei mais a bares porque tenho um marido que me espera em casa para cuidar dos filhos.
A partir daí, é esperar os meninos crescerem, e ficar o dia todo a pensar em suicidio, sem coragem de cometê-lo. Um belo dia, chego à conclusão de que a vida é assim, não adianta, nada mudará. E conformo -me."
"...caso-me com um homem a quem me obrigo amar. Eu e ele acabaremos por encontrar uma maneira de sonhar juntos o nosso futuro, a casa de campo, os filhos, o futuro dos nossos filhos. Faremos muito amor no primeiro ano, menos no segundo, e a partir do terceiro ano talvez pensemos em sexo uma vez a cada quinze dias, e transformaremos este pensamento em acção apenas uma vez por mês. Pior que isso, quase não conversaremos. Eu esforçar-me-ei a aceitar a situação, e perguntar-me-ei o que há de errado comigo - já que não consigo interessá-lo, ele não me dá atenção, e passa a vida a falar dos seus amigos como se fossem realmente o seu mundo.
Quando o casamento estiver realmente por um fio, eu ficarei grávida. Teremos o filho, passaremos algum tempo mais próximos um do outro, e logo a situação voltará a ser como antes.
Então, começarei a engordar, e começarei também a tentar fazer dieta, sistematicamente derrotada a cada dia, a cada semana, pelo peso que insiste em aumentar apesar de todo o controlo. Nessa altura, tomarei essas drogas mágicas para não entrar em depressão - e terei alguns filhos, nas noites de amor que passam depressa demais. Direi a todos, que os filhos são a razão da minha vida, mas na verdade eles exigem a minha vida como razão.
As pessoas vão considerar-nos sempre um casal feliz, e ninguém saberá o que existe de solidão, de amargura, de renúncia, atrás de toda a aparência de felicidade.
Até que um dia, quando o meu marido arranjar a sua primeira amante, eu talvez faça um escandalo, ou pense em me suicidar. Mas então estarei velha e cobarde, com dois filhos ou três que precisam da minha ajuda, e preciso de educá-los, colocá-los no mundo - antes de ser capaz de abandunar tudo. Eu não me suicidarei, mas farei um escandalo, ameaçarei sair com as crianças. Ele recuará, dirá que me ama e que aquilo não se tornará a repetir.
Dois ou três anos depois, outra mulher aparece na sua vida. Eu vou descobrir - porque vi ou porque alguém me contou - mas desta vez finjo que não sei, gastei toda a minha energia a lutar contra a amante anterior, não sobrou nada para esta, é melhor aceitar a vida como ela é na realidade, e como eu não imaginava que fosse.
Ele continuará a ser gentil para mim, eu continuarei com o meu trabalho, a ler os livros que nunca consigo acabar de ler e a ver os programas de televisão que continuarão os mesmos daqui a quinze, vinte, trinta, cinquenta anos. Continuarei a comer o que quero com culpa, porque estou a engordar, não irei mais a bares porque tenho um marido que me espera em casa para cuidar dos filhos.
A partir daí, é esperar os meninos crescerem, e ficar o dia todo a pensar em suicidio, sem coragem de cometê-lo. Um belo dia, chego à conclusão de que a vida é assim, não adianta, nada mudará. E conformo -me."
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